Aproveitei o dia de hoje, 13 de Outubro, para publicar o hino do centenário das aparições. Intitula-se "Mestra do Anúncio, Profecia do Amor" cujo o autor da letra é Marco Daniel Duarte, vencedor do concurso. Relativamente à música, o júri constituído pelas mais diversas identidades conhecidas na área, P. Virgílio Antunes, P. Vítor Coutinho, Eugénio Amorim, Joana Carneiro e Paulo Lameiro, decidiu premiar a obra de José Joaquim Santos Ribeiro. Aproveitando facto de conhecer bem o vencedor, decidi colocar-lhe algumas questões sobre a sua obra e o seu autor, para dar a conhecer a muitos que ainda não ouviram falar dele. Não tenho nenhuma arte jornalística, a conversa foi informal.
José Joaquim Santos Ribeiro é um seminarista do Porto, a frequentar o 5º ano de Teologia. Natural de Lobão, Santa Maria da Feira, desde cedo contactou com a música: quer litúrgica quer filarmónica. Foi aluno de órgão de Tadeu Filipe e António Mário e acabou recentemente o Curso Nacional de Música Litúrgica, em Fátima.
José, como reagiste quando soubeste que a tua obra foi a vencedora?
José: Lembro-me que naquela 6ª feira a seguir à Páscoa vi uma carta lá em casa endereçada a mim, cujo remetente era o Santuário de Fátima. Abri a carta e comecei a ler, mas aquela hora não era propícia para leituras de discursos formais, por isso não percebi o texto à primeira, só depois de umas quantas releituras e que percebi o que se tinha passado.
Confesso que foi um momento de grande surpresa, pois não contava com semelhante feito. Depois foi o momento de informar aqueles que tão vivamente me incitaram a mandar uma proposta musical para o hino.
Que motivos te levaram a concorrer?
José: Os motivos que me levaram a mandar uma proposta tem nome: Natércia Teixeira e Ivo Brandão. A ambos dei uma resposta negativa quando me informaram que o Santuário tinha lançado um concurso para a musica do Hino do Centenário das Aparições. O Ivo Brandão não se rendeu a minha primeira resposta, e lá me foi instigando para eu mandar algo, já mais para o final era ao contrário.
Resumindo, não tinha pretensões de concorrer nem de ganhar, mandei uma proposta porque eles os dois me “chatearam”.
Poderias descrever um pouco a obra ?
José: Começando conforme o hino se apresenta, as estrofes, e sua harmonização para 4 v.m., foram concebidas tendo consciência da realidade que temos, essencialmente, no nosso país. As estrofes iniciam-se a uma só voz e depois vai havendo um crescendo progressivo que culmina no Refrão.
O Refrão traduz um pouco a Marcha que o Povo de Deus faz em direcção a Cristo, movido pelo exemplo de Maria e pela Mensagem que proferiu em Fátima. Procurei que a melodia fosse bastante fácil de assimilação.
Quais foram os desafios que enfrentaste ao compor esta obra?
José: Quando comecei a ler o texto deparei-me com
algo de conteúdo muito rico, mas depois na analise formal vi que a prosódia não
era perfeita, coisa que condicionou muito depois a condução melódica e rítmica
das estrofes. Isto revelou-se um desafio pois tive de minimizar a acentuação de
sílabas átonas.
Para o Refrão optei por repetir a meio o
primeiro verso para assim ter uma estrutura quaternária, o que e muito mais
confortável para se conceber uma melodia de fácil aprendizagem.
Este
reconhecimento vai-se reflectir, no futuro, numa maior dedicação à música?
José: Entendo a musica sacro-litúrgica como meio de
louvor a Deus e de evangelização. Porei os meus conhecimentos em pratica naquilo que for preciso e solicitado.
Se me e permitido faço aqui um agradecimento
aos meus dois amigos já referidos e ao Dr. António Mário Costa, meu estimado
professor de Órgão no Seminario e harmonia no IV Curso Nacional de Musica
Litúrgica, por me ter feito a correcção harmónica.
A partitura encontra-se seguidamente, podendo ser encontrada também no site oficial do
Santuário de Fátima. Um grande Bem Haja ao José pela entrevista e por todo o seu trabalho!
Versão para coro
Versão com órgão
Uma excelente interpretação da obra pelo Coro do Santuário de Fátima:
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